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Jo$énildo

----TEXTOS, FOTOS, DESENHOS E ESCULTURAS++++

Jo$énildo Dantas Dantas

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Sou um cara retrõ mas que me aventuro a coisas novas qndo quero
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May 09

SOMBRAS DE UMA ALMA

El Dourado          

 
 
Bebo à riqueza que nunca vem
Me embriago nos sonhos tantos
Próprios do exílio da cobiça
Brindo à grandeza da fantasia,
Mas lamento  o infortúnio   da pobreza da providencia,
Ávida de rei que nunca chega
E o pouco que se sustem
Nada mais do que uma  lapide de nostalgia à velhice trôpega
Uma certeza  de pé na cova
Aos Bacos, Midas e Narcisos
Eternizados na riqueza de seus propósitos
Porem infelizes de realização póstuma,
Próprios de cadáveres esquecidos de paz
Do sono sem sonhos
Daquela que se ornamenta de trevas, frio e vermes...
... tormento aos vivos ricos,
Que diferentes do oiro,
Não perduram,
Já incubam os vermes do sepulcro
Mesmo quando inda vivos
Porém, acreditados  dum El Dourado...
(...)
Deixem-lhes!Que os tapurus lhe segredem à carniça sua venturança!
 
JDM
06/02/2007
 

O abutre   

 

No morgue depressivo,
Dentre o negrume
Alça vôo o abutre das próprias cinzas
A sufocar as chamas da ira.
Suas plumas cortam a luz cadente,
 seu revoar afronta o rugido do medo.
Mas livre está das entranhas do abismo
Apenas voa no exílio da mente,
Longe do labirinto infernal da própria condição...,
Pobre abutre!
 
INVEJA  
 
Câncer maldito
Que profana a alma
Que se prolifera como vermes insanos
Buscando a vida na morte
Para viverem inúteis!
Assim parece a inveja da maldita alma
Que na sombra do otimismo alheio
Obscurece a si mesma.
Que vive a esmo ,
Vivente de rancores
Na trilha do fracasso
Feito os vermes que padecem na carcaça!
 
 
A lágrima da inveja é uma gota de fel suficiente para macular a beleza de um coração brando.
É um espinho no olho d’alma que nos  criva ao flagelo  íntimo do ego  e que aos poucos  vai envenenando o Narciso incubado no ventre da estima.
JDM 2007
 
 
 

SUA MAJESTADE, O PIERRÔ

PIERRÔ

Grande és pela estigma!

Se gostos tivesses pelo viver...

Serias tu um Salomão?

Se no desgosto das rotinas,

-         sem harmonia, sem sonhos, , ... vazios tudo -

são teus  feitos atos de maestria,

o que não farias,

se coroasse a alegria  os teus passos?!

Que seria dos Arlequins,

De quem seriam as Colombinas?

Seriam todos os corações teus,

O pleno viver em teu favor

Afrontando o deboche invejoso ( de Arlequins)

À longos risos de horizonte ( de Colombinas)

Porém desenhou-lhe a face

A lágrima  inconsolável do desagrado ( de Pierrô)

Um moribundo a fazer dos dias findos

Uma longa caminhada de alma penada

A seguir a própria sombra

Na busca  de paz

-         que bem sabe –

não pouparão os vermes

até que  lhe devorem o tutano dos ossos.

Foges, foges,...

Que nem a morte lhes convém!

 

JDM – 05/03/2007

 

Pierrô nas encruzilhadas da traição

 Amei a Musa dos Ventos

Que também amava Anjo Minha,

Uma Julieta sem Romeu

Que me enlaçava em agrados

Ao tempo que derramava seu prazer

À Musa minha dos Ventos.

Também nesse tempo

Amou o Cavaleiro Fidalgo

A Devassa Sedução

A quem também amei e desejei

À força de ciúme e prazer.

Vieram outros tempos,

Aos palcos novos personagens

_ o Pierrô e a Colombina

à mercê do Arlequim vil.

Então, doutros tempos

Veio a Musa dos Ventos novamente

Somar a quatro

Os corações cúmplices no mesmo leito de traição.

 Pouco durou a confraria de tolos.

Porém, ardiloso tornou o Arlequim, pôs em prova o Pierrô

E louco que sempre fora

Por um Imperato adulterou-se

E a mui outros tantos!

Orgulhoso, danou-se o Pierrô

A imitar-lhe o ato vil.

Embriagado na  insanidade vingativa

Acabou perdendo o encanto próprio

À sombra de Majestade qualquer.

Enquanto à sombra da traição

Cativou-lhe a Ninfa de Aparências Nobres.

Mais uma vez

danou-se o Pierrô à manipulação de uma rameira.

Nas encruzilhadas dos amores tantos

Amores nômades, flagelos de honra,

 Perdura o Pierrô,

Cachorro desarvegonhado

 A espreita de carcaças de prazer!

 

JDM – 11/03/2007

 

Pierrô, quem sou?!

Quem és tu, ó Pierrô misterioso?

Que se faz lírio nos campos da solidão

Para tornar-se erva-daninha nos jardins do próprio coração?

-As rosas todas

-As flores tudo,

paixões primaveris, amores fecundos

órfãos de outono,

sepultados no lamaçal frio do ciúme possessivo

que a tudo injeta o fel  da infelicidade.

-Malditos Arlequins!

-Infelizes Colombinas!

Os abutres lhe desejam a carne,

Os vermes revolvem-lhes as estranhas,

Mas pouco encontrarão o que tanto desejo!

Ao túmulo irei n`algum dia

Com vós , heras-venenosas,

Nupciar a carniça mútua,,

Mas de belo, bem sei,

Pouco há de florescer

Do Pierrô que lhe amaldiçoa o amor infiel!

 JDM – 08/03/2007

A lágrima do Pierrô

Vais Pierrô!

Mascara a força

Nas graças  risonhas

Do palhaço triste  que és

Enquanto mata-lhe o vazio dos dias findos!

 

A alegria dos atos teus

Esconderijo do martírio silencioso

Onde todos lhe vêem a risada,

Mas pouco compreendem a piada

 

Ainda que removida a maquiagem,

Perdura à lagrima

A macular o sorriso

De bobo alegre,

 

Vassalo doutros  corações,

Inimigo  ao próprio,

Uma ave sem horizontes,

Um prisioneiro sem grades,

 

Um porra de merda

Que chora, chora, ...

O palhaço que morre

Por sorrir sem graça

Ao agrado de todos!

 

JDM – 09/03/2007

A Piada  Que Viu o Palhaço

 Palhaço que tanto ( fez!),

Que tanto (faz!) pr`aparecer!

Do personagem à piada,

Esquecido de ser

Caiu a máscara

De riso largo, esgar viperino

Boiando no espelho da própria ironia!

-         Ria, ria, ...!-

Morre a alegria

Perdura  a piada

( do banguela – coxo – atrofiado),

escárnio adiposo de vermes famintos,

que na quizília do tempo

lhe mata a paciência e na falta de riso

morre também a piada

a juntar-se às cinzas sem graça.

 

Lamentos!?

Dorme a vingança

No silencio profundo do sepulcro!

 

[ Nem sempre se escreve com a tinta da inspiração,

mas também pelo fel da intenção!]

 SITE DE ACARI - RN       

 

JDM – 04/03/2007

 

April 22

PRÍNCIPES VALENTES - QUANTICA

 

Príncipes valentes

Valiant princes 

Sou um corvo

I am a crow

Um agouro que permeia  o coração da existência,

 An omen that permeates the heart of the existence, 

O último resquício de (...?)!

 The last rest of (. . . ? )!

  Eu corro as guerras, penetro a dor, as perdas...

 I run the wars, I penetrate the pain, the losses. . .

  E me embriago no funeral da esperança destes vivos condenados!       

 And I intoxicate in the funeral of these alive convicts' hope! 

  Eu vigio o sono

 I watch the sleep

  E temo e lamento por  seus pesadelos inda acordados!         

 And I fear and I still lament for your nightmares awake! 

  A crueldade está aquém da lógica da razão.

 The cruelty is on this side of the logic of the reason.

  Suas histórias

 Your histories

  Vividas nua e cruamente na indiferença do convívio

 Lived nude and cruamente in the indifference of the conviviality

  Se reescrevem ao som de melodias e romances

 They are redrafted to the sound of melodies and romances

  que lhe dão razão a própria tragédia!

that agree with him/her the own tragedy!

 Infelizes que vivem a enfeitar suas sepulturas       

 Unhappy that live to decorate your graves

 quando jazem cadáveres  em vida...       

 when cadavers lie in life. . . 

  Malditos que se satisfazem por velarem seus corpos ao pós vida dos vermes famintos;        

 Damned that are satisfied for they veil your bodies to the powders life of the starving worms; 

  Edificam seus cárceres conceituais "a suplantarem a culpa que lhes é  de natureza...

 They build your conceptual " jails they supplant her the blame that is them of nature. . .

  Tão evidente na condição de flagelos

 So evident in the condition of scourges

  já nascem as gerações incubando a morte em seu ventre      

 they are already born the generations incubating the death in your womb

  - as pestes, os vírus, o câncer, os idéias...              

 - the plagues, the viruses, the cancer, you idealize them. . . 

  Infância moribunda              

 Dying childhood

  despontando para 'vida nua e crua" da carniça que és,         

 blunting for ' nude and raw " life of the carrion that you are,

  Sem trilhas, nem romances...

 Without trails, nor romances. . .

  Tudo isto porque renegam

 Everything this because they renounce

  A sombra que lhes cobre a existência:a morte.

 The shade that collects them the existence: the death.

 

 

 

PELO ABISMO ANDEI, EM "ti" CONFIEI, E DE LÁ VOLTEI RENASCIDO!

 

O Despertar da Tragédia               

 No tédio de um sonho distante

Repousa o cadáver duma felicidade infiel,

Que ao tempo prostituiu-se

E esqueceu o coração aos devaneios do fracasso!

 

E nisto

Matou o infeliz a si próprio!

Por tempos  balançou o corpo

À sombra d`arvore ressequida.

Vieram os abutres,

Mas no engano da podridão

Revoaram pra longe famintos!

Incubaram-se os vermes na carniça,

Mas ao chão caíram

Devorados  pela fome de vida!

Vieram os coiotes encurvados de fome,

Vindos doutras terras longínquas.

Mas pra lá voltaram,

Para no vazio do deserto

Encontrar sangria que lhes viva.

E continuou o cadáver a balouçar

Até que em pó, rompeu-se a forca.

Secou o solo, morreu a grama

E na indiferença do tempo

Perdurou o defunto,

Vazio e amaldiçoado,

No túmulo da rejeição dos vivos famintos!

 

JDM – 05/03/2007

 El Dourado

 El Gold

 Bebo à riqueza que nunca vem

 I drink to the wealth that never comes

  Me embriago nos sonhos tantos

 I get drunk in the so many dreams

  Próprios do exílio da cobiça

 Own of the exile of the greed

  Brindo à grandeza da fantasia,

 I drink to the greatness of the fantasy,

  Mas lamento  o infortúnio  da pobreza da providencia,

 But I lament the misfortune of the poverty of the it makes arrangements,

  Ávida de rei que nunca chega  

Avid of king that never arrives

  E o pouco que se sustem       

And the little that if sustem

  Nada mais do que uma  lapide de nostalgia à velhice trôpega

 Nothing else than one cuts from nostalgia to the age trôpega

  Uma certeza  de pé na cova   

 A foot certainty in the hole

  Aos Bacos, Midas e Narcisos

To the Spleens, Midas and Narcissuses

  Eternizados na riqueza de seus propósitos      

 Eternalized in the wealth of your purposes

  Porem infeliz da realização póstuma,  

 They put unhappy of the posthumous accomplishment,

  Próprios de cadáveres esquecidos de paz

 Own of cadavers forgotten of peace

  Do sono sem sonhos

 Of the sleep without dreams

  Daquela que se ornamenta de trevas, frio e vermes... 

 Of that that ornaments her of darkness, cold and worms. . . 

... tormento aos vivos ricos,

 . . torment to the alive ones rich,

  Que diferentes do oiro,          

 That different from the  gold(ouro)

  Não perduram,           

 They don't last long,

  Já incubam os vermes do sepulcro

They already incubate the worms of the sepulcher

  Mesmo quando ainda vivos

 Same when still alive

  Porém, acreditados  dum El Dourado...

 However, believed of an El Gold. . .

  (...)

  Deixem-lhes!Que os tapurus lhe segredem à carniça sua venturança!

 Leave them! That the (worms ) tell in secret to your carrion luck( ventura)!

 

o olho da lua

the eye of the moon

 

ouça o dia

hear the day

 

 o dia  em que  a lua refletiu a si mesma

 the day in that the moon contemplated to herself

 

 ouça o apelo do olho igual

 hear the appeal of the same eye

 

 a luz que se reflete

 the light that is reflected

 

 e não se completa

 and it is not completed

 

 mas apela ardentemente

 but it appeals hotly

 

 um narciso afundando na própria paixão

a Narciso sinking in the own passion

 

 infeliz por florescer, definhar e morrer na face escura do lago indiferente.

 unhappy for blooming, to weaken and to die in the dark face of the indifferent lake.

 Afrodite                         

 

o teu olhar

 your glance

 

encanto mortal

 charm human

 

 que fere a alma

 that hurts the soul

 

 que faz de mim um nada!

 that does of me one anything!

 

o teu sorriso

your smile

 

cupido que me flecha

Cupid that me arrow

 

 magia envolvente

involving magic

 

 sedução indomável!

 untamable seduction!

 

você

you

 

 objeto do meu desejo

 I object of my desire

 

deusa do meu querer

 goddess of mine to want

 

 mulher do meu deleite

 woman of my delight

 

 Afrodite minha!

 My Afrodite!

 

ÍCARO               

 

 Voei na fantasia

 I flew in the fantasy

 

 feito Icaro ao sol

 fact Icaro in the sun

 

com asas de felicidade

with wings of happiness

 

 galguei o intangivel

 I jumped over the intangible

 

 mas ferido caí!

but wounded falls!

 

 A fantasia desfeita

The undone fantasy

 

 asas pesadas de tristeza

 heavy wings of sadness

 

 mergulhei na depressão do grande coração choroso

 I dove in the depression of the great tearful heart

 

vácuo de hóspedes

vacuous of guests

 

 pensão de ódio

 hate pension

 

 onde arqueja a esperança

 where arches the hope

 

a última fonte de lágrimas

the last source of tears

 

 cansadas de regarem a vida

tired of they water the life

 

 de tão solitário ser

 of so solitarian to be

 

 

 que faz da morte

that does of the death

 

a noiva perfeita!

the perfect bride!


Inveja  

 Envy

 

 câncer maldito

 damned cancer

 

 que profana a alma

 that profanes the soul

 

 que se prolifera como vermes insanos

 that she proliferate as insane worms

 

buscando a vida na morte

 looking for the life in the death

 

 para viverem inúteis!

 for us to live useless!

 

 assim parece a inveja da maldito alma

  seems like this the envy of the damned soul

 que na sombra do otimismo alheio

 that in the shade of the strange optimism

 

 obscurece a si mesma

 her darkens herself

 

 que vive a esmo, vivente de rancores

 that lives at random, alive of rancors

 

 na trilha do fracasso

 in the trail of the failure

 

 feito os vermes que padecem na carcaça!

 made the worms that suffer in the carcass!