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    May 09

    SOMBRAS DE UMA ALMA

    El Dourado          

     
     
    Bebo à riqueza que nunca vem
    Me embriago nos sonhos tantos
    Próprios do exílio da cobiça
    Brindo à grandeza da fantasia,
    Mas lamento  o infortúnio   da pobreza da providencia,
    Ávida de rei que nunca chega
    E o pouco que se sustem
    Nada mais do que uma  lapide de nostalgia à velhice trôpega
    Uma certeza  de pé na cova
    Aos Bacos, Midas e Narcisos
    Eternizados na riqueza de seus propósitos
    Porem infelizes de realização póstuma,
    Próprios de cadáveres esquecidos de paz
    Do sono sem sonhos
    Daquela que se ornamenta de trevas, frio e vermes...
    ... tormento aos vivos ricos,
    Que diferentes do oiro,
    Não perduram,
    Já incubam os vermes do sepulcro
    Mesmo quando inda vivos
    Porém, acreditados  dum El Dourado...
    (...)
    Deixem-lhes!Que os tapurus lhe segredem à carniça sua venturança!
     
    JDM
    06/02/2007
     

    O abutre   

     

    No morgue depressivo,
    Dentre o negrume
    Alça vôo o abutre das próprias cinzas
    A sufocar as chamas da ira.
    Suas plumas cortam a luz cadente,
     seu revoar afronta o rugido do medo.
    Mas livre está das entranhas do abismo
    Apenas voa no exílio da mente,
    Longe do labirinto infernal da própria condição...,
    Pobre abutre!
     
    INVEJA  
     
    Câncer maldito
    Que profana a alma
    Que se prolifera como vermes insanos
    Buscando a vida na morte
    Para viverem inúteis!
    Assim parece a inveja da maldita alma
    Que na sombra do otimismo alheio
    Obscurece a si mesma.
    Que vive a esmo ,
    Vivente de rancores
    Na trilha do fracasso
    Feito os vermes que padecem na carcaça!
     
     
    A lágrima da inveja é uma gota de fel suficiente para macular a beleza de um coração brando.
    É um espinho no olho d’alma que nos  criva ao flagelo  íntimo do ego  e que aos poucos  vai envenenando o Narciso incubado no ventre da estima.
    JDM 2007
     
     
     

    SUA MAJESTADE, O PIERRÔ

    PIERRÔ

    Grande és pela estigma!

    Se gostos tivesses pelo viver...

    Serias tu um Salomão?

    Se no desgosto das rotinas,

    -         sem harmonia, sem sonhos, , ... vazios tudo -

    são teus  feitos atos de maestria,

    o que não farias,

    se coroasse a alegria  os teus passos?!

    Que seria dos Arlequins,

    De quem seriam as Colombinas?

    Seriam todos os corações teus,

    O pleno viver em teu favor

    Afrontando o deboche invejoso ( de Arlequins)

    À longos risos de horizonte ( de Colombinas)

    Porém desenhou-lhe a face

    A lágrima  inconsolável do desagrado ( de Pierrô)

    Um moribundo a fazer dos dias findos

    Uma longa caminhada de alma penada

    A seguir a própria sombra

    Na busca  de paz

    -         que bem sabe –

    não pouparão os vermes

    até que  lhe devorem o tutano dos ossos.

    Foges, foges,...

    Que nem a morte lhes convém!

     

    JDM – 05/03/2007

     

    Pierrô nas encruzilhadas da traição

     Amei a Musa dos Ventos

    Que também amava Anjo Minha,

    Uma Julieta sem Romeu

    Que me enlaçava em agrados

    Ao tempo que derramava seu prazer

    À Musa minha dos Ventos.

    Também nesse tempo

    Amou o Cavaleiro Fidalgo

    A Devassa Sedução

    A quem também amei e desejei

    À força de ciúme e prazer.

    Vieram outros tempos,

    Aos palcos novos personagens

    _ o Pierrô e a Colombina

    à mercê do Arlequim vil.

    Então, doutros tempos

    Veio a Musa dos Ventos novamente

    Somar a quatro

    Os corações cúmplices no mesmo leito de traição.

     Pouco durou a confraria de tolos.

    Porém, ardiloso tornou o Arlequim, pôs em prova o Pierrô

    E louco que sempre fora

    Por um Imperato adulterou-se

    E a mui outros tantos!

    Orgulhoso, danou-se o Pierrô

    A imitar-lhe o ato vil.

    Embriagado na  insanidade vingativa

    Acabou perdendo o encanto próprio

    À sombra de Majestade qualquer.

    Enquanto à sombra da traição

    Cativou-lhe a Ninfa de Aparências Nobres.

    Mais uma vez

    danou-se o Pierrô à manipulação de uma rameira.

    Nas encruzilhadas dos amores tantos

    Amores nômades, flagelos de honra,

     Perdura o Pierrô,

    Cachorro desarvegonhado

     A espreita de carcaças de prazer!

     

    JDM – 11/03/2007

     

    Pierrô, quem sou?!

    Quem és tu, ó Pierrô misterioso?

    Que se faz lírio nos campos da solidão

    Para tornar-se erva-daninha nos jardins do próprio coração?

    -As rosas todas

    -As flores tudo,

    paixões primaveris, amores fecundos

    órfãos de outono,

    sepultados no lamaçal frio do ciúme possessivo

    que a tudo injeta o fel  da infelicidade.

    -Malditos Arlequins!

    -Infelizes Colombinas!

    Os abutres lhe desejam a carne,

    Os vermes revolvem-lhes as estranhas,

    Mas pouco encontrarão o que tanto desejo!

    Ao túmulo irei n`algum dia

    Com vós , heras-venenosas,

    Nupciar a carniça mútua,,

    Mas de belo, bem sei,

    Pouco há de florescer

    Do Pierrô que lhe amaldiçoa o amor infiel!

     JDM – 08/03/2007

    A lágrima do Pierrô

    Vais Pierrô!

    Mascara a força

    Nas graças  risonhas

    Do palhaço triste  que és

    Enquanto mata-lhe o vazio dos dias findos!

     

    A alegria dos atos teus

    Esconderijo do martírio silencioso

    Onde todos lhe vêem a risada,

    Mas pouco compreendem a piada

     

    Ainda que removida a maquiagem,

    Perdura à lagrima

    A macular o sorriso

    De bobo alegre,

     

    Vassalo doutros  corações,

    Inimigo  ao próprio,

    Uma ave sem horizontes,

    Um prisioneiro sem grades,

     

    Um porra de merda

    Que chora, chora, ...

    O palhaço que morre

    Por sorrir sem graça

    Ao agrado de todos!

     

    JDM – 09/03/2007

    A Piada  Que Viu o Palhaço

     Palhaço que tanto ( fez!),

    Que tanto (faz!) pr`aparecer!

    Do personagem à piada,

    Esquecido de ser

    Caiu a máscara

    De riso largo, esgar viperino

    Boiando no espelho da própria ironia!

    -         Ria, ria, ...!-

    Morre a alegria

    Perdura  a piada

    ( do banguela – coxo – atrofiado),

    escárnio adiposo de vermes famintos,

    que na quizília do tempo

    lhe mata a paciência e na falta de riso

    morre também a piada

    a juntar-se às cinzas sem graça.

     

    Lamentos!?

    Dorme a vingança

    No silencio profundo do sepulcro!

     

    [ Nem sempre se escreve com a tinta da inspiração,

    mas também pelo fel da intenção!]

     SITE DE ACARI - RN       

     

    JDM – 04/03/2007